Bom dia · quinta-feira, 27 de agosto

O que mudou em IA, sem hype.

Toda semana, o que importa pra quem trabalha em escritório e não é de TI. Cada item com fonte, data de checagem e o que NÃO é — porque a metade que ninguém conta é a que te faz comprar ferramenta errada.

01 · Sinais da semana

Dez coisas que mudaram. Nenhuma vai "revolucionar" nada.

Mas algumas mexem no seu Excel, no seu e-mail e na conta da empresa. Abra o que interessar — cada item diz o que é, o que não é e por que importa.

02 · A edição

Copilot Notebooks: o post foi o resumo. Aqui é a dissecação.

Em uma frase: o chat responde do zero toda vez; o Notebook guarda os seus arquivos e as suas regras e responde só com base neles — sempre do mesmo jeito. O que segue é o que não coube no carrossel: como eu montei, o que mudou em 25/08, os senões e como testar sem se enganar.

Eu passava tempo demais conferindo documentação — documento por documento, com as regras na cabeça e a planilha do lado. Não reclamava. Era o trabalho. Até descobrir que o Copilot que eu já usava no chat tem um recurso que quase ninguém abre.

O que é, e o que não é

Vou tirar três coisas da mesa antes de continuar.

Não é um chat com anexo. No chat você reanexa tudo a cada pergunta e a resposta nasce do zero. No Notebook, as fontes ficam guardadas: a pergunta de hoje e a da semana que vem partem do mesmo material.

Não é o Copilot vasculhando sua caixa inteira. Você escolhe o que entra — arquivos, e desde 25 de agosto também e-mails do Outlook e reuniões do Teams. O que não está lá dentro, ele não vê.

Não é treinar a IA. O modelo continua o mesmo. O que muda é o que está na frente dele na hora da pergunta — no jargão, isso se chama RAG, e está explicado lá embaixo em Traduzindo.

Como eu montei o meu

Dois arquivos. Só isso.

Um roteiro, em Word, com as instruções fixas: o que conferir, em que ordem, o que devolver e em que formato. Escrevi como escreveria pra alguém novo na equipe — porque é exatamente isso que ele é.

Um Excel com os parâmetros: os limites, as faixas, as regras que mudam de tempos em tempos. Ficam na planilha, não no texto do roteiro, pra eu poder ajustar uma regra sem reescrever a instrução.

Agora a documentação entra, ele confere contra os parâmetros e devolve a análise estruturada. O que era leitura manual virou conferência. E aqui está o que eu aprendi montando, na ordem em que aprendi:

  1. Escolha um processo com regras fixas e documentos que mudam. Contrato, relatório, proposta, conformidade. Se a regra muda toda vez, não é caso de Notebook — é caso de chat.
  2. Escreva o roteiro antes de abrir o Copilot. Se você não consegue explicar a conferência pra uma pessoa, a IA não vai adivinhar. O valor não está no prompt — está nas regras que você fixa.
  3. Parâmetro vai em planilha, não em texto. É a diferença entre ajustar uma célula e reescrever um parágrafo.
  4. Teste com um documento que você já conferiu na mão. Você sabe a resposta certa. Se ele errar, o erro está no roteiro — corrija o roteiro, não a pergunta.
  5. A conferência final continua sendo sua. Ele confere contra as regras; se a regra está errada, ele erra com toda a confiança do mundo.

A parte que ninguém te contou

Três coisas que eu só descobri lendo a documentação por dentro — as notas de versão que a Microsoft publica a cada duas semanas.

Ele já devolve arquivo, não só texto. Desde 1º de julho o Notebook monta um Word, um Excel ou um PowerPoint a partir do que está lá dentro. É a diferença entre receber o texto de um relatório e receber o arquivo pronto pra abrir.

Ele funciona só com a licença paga. O Copilot Chat gratuito é um assistente de web: não enxerga arquivo, e-mail nem reunião da empresa. Quem dá acesso ao seu conteúdo de trabalho é a licença Microsoft 365 Copilot, que é um complemento — e explica a frustração de quem "testou o Copilot e ele não sabia nada da minha empresa": era a versão gratuita.

Quem decide o que aparece é o administrador. Modelos disponíveis, agentes, o que o Copilot pode ver — tudo passa pelo centro de administração da empresa. Antes de prometer isso pro seu time, confirme o que o seu tenant libera.

Os senões, sem maquiagem

As regras são suas. Se a regra está errada na planilha, a análise sai errada e bem escrita. O Notebook não é uma segunda opinião; é a sua opinião, aplicada com consistência.

Dado sensível continua dado sensível. Tudo que eu descrevo aqui foi montado com estrutura e método — o dado real fica dentro das regras da empresa, e essa decisão não é sua nem minha: é de quem governa o ambiente.

Não é sobre análise de renda. Eu testei no meu processo porque era o mais repetitivo da minha rotina. O método serve pra qualquer rotina com regras fixas e documentos que mudam — e é isso que vale levar, não o meu caso.

Como testar sem se enganar

Print de "antes e depois" não prova nada. Se quer saber se funciona no seu caso, o teste é chato:

  • Escolha um processo real, com regras que você sabe de cor.
  • Separe cinco documentos que você já conferiu na mão — três normais, dois com problema conhecido.
  • Monte o roteiro e a planilha. Rode os cinco.
  • Compare com a sua conferência, item por item. Conte os erros e classifique: erro de regra (a planilha está errada), erro de leitura (ele não achou o dado) ou erro de formato (devolveu do jeito errado).
  • Corrija a causa mais frequente e rode de novo. Se depois de duas rodadas ele ainda erra o que você acerta, o processo não é caso de Notebook — e você descobriu isso em uma tarde, não em um trimestre.

Os limites declarados

  • Uma pessoa, um processo. Não é benchmark: é o meu caso, na minha rotina.
  • Não medi tempo. "Virou conferência" é uma descrição do trabalho, não um número. Quando eu medir, eu conto.
  • As novidades de 25/08 eu li nas notas de versão — não testei todas. Onde ainda não usei, está escrito "as notas dizem", não "funciona".
  • O modelo que eu montei — roteiro e planilha de parâmetros — eu compartilho pra quem quiser adaptar. Comenta NOTEBOOK no post no Instagram ou no LinkedIn.

Se você montar o seu, me conta o que quebrou. Caso ruim ensina mais que caso bom — e é o que eu mais publico.

03 · No Copilot

O que mudou na ferramenta que já está na sua mesa.

Das notas de versão de 11 a 25 de agosto. Quase tudo exige a licença paga e chega por etapas — o que vale na web pode ainda não valer no Windows.

04 · Os modelos, hoje

Claude, ChatGPT, Gemini: a porta de entrada dos três custa quase o mesmo.

Em torno de US$ 20 por mês. A decisão, na prática, não é de preço — é de onde o seu trabalho já acontece. O estado de cada um, conferido nas páginas oficiais.

05 · Ferramentas que valem a aba

O que faz, o que não faz, e se é grátis.

Nada aqui é indicação paga. É o que eu uso, testei ou li por dentro — com o limite escrito na cara, que é a parte que a página de vendas esconde.

06 · Traduzindo

o termo da semana

Agente

A IA que executa passos, não só responde. Quando os passos foram fixados por um programador, aquilo é um fluxo automatizado; no agente, quem escolhe o caminho é o modelo — e por isso o resultado varia de uma execução pra outra.

Por que importa: muda o que você precisa conferir. Um chatbot entrega texto pra você revisar; um agente já mexeu na planilha, no e-mail ou no sistema.

As palavras que estão em toda notícia — em português de escritório.

Cada uma com o que é, o que não é e um exemplo do seu dia. Fonte na documentação oficial, não em post de LinkedIn.

07 · Um prompt pra hoje

O pedido que eu faço antes de qualquer tarefa.

Não é um prompt "mágico". É o jeito de fazer a IA listar antes de fazer — pra você cortar o que não faz sentido enquanto ainda é barato cortar. Funciona em qualquer uma das quatro portas.

cole no chat · troque o que está entre colchetes
Preciso resolver isto: [descreva a tarefa em uma frase, como falaria pra um colega].

Antes de fazer qualquer coisa:
1. Quebre em tarefas pequenas, numeradas, uma por linha.
2. Pra cada uma, diga o que você precisa de mim (arquivo, regra, decisão).
3. Marque com [?] o que você está supondo e não tem certeza.

Não execute nada ainda. Eu vou cortar o que não faz sentido e aí você começa pela primeira.
Por que funciona: a lista é onde você enxerga o erro antes de ele custar.
Palmo, o mascote, apontando

08 · Tela inicial

Deixe esta página aberta quando o navegador abrir.

É pra isso que ela existe: abrir de manhã, ver o que mudou, fechar. Dois minutos. Sem newsletter na caixa de entrada, sem notificação — você vem quando quiser.

ChromeMenu ⋮ → ConfiguraçõesAo iniciar → "Abrir uma página específica" → cole pedrodutra.ia.br
EdgeMenu ⋯ → ConfiguraçõesIniciar, página inicial e novas guias → "Abrir estas páginas" → cole o endereço
FirefoxConfiguraçõesInício → "Página inicial e novas janelas" → "Endereços personalizados"
CelularNo Safari ou no Chrome: Compartilhar → "Adicionar à Tela de Início". Vira um ícone, como um app.
primeiras turmas em breve

Ler o Radar é a versão de dois minutos. O curso é a tarde inteira.

Da Dúvida à Prática — 3h30 ao vivo, turma pequena. Você traz uma tarefa da sua semana e sai com ela resolvida. Sem instalar nada pra começar.

Ver o curso